Neste Congresso Europeu de Cardiologia (Paris, agosto de 2011), foi divulgado o andamento da pesqusia com a policápsula ou polipílula.
Dr Youssef e Dr Valentim Fuster apresentaram seus resultados e o futuro é promissor.
A possibildade de facilitar a "tomada de medicação", o baixo custo e a diminuição da ingesta de comprimidos parecem incidir diretamente na aderência dos pacientes aos tratamentos.
Cabe agora esperar o que nos reserva a briga por patentes de medicamentos.
Abaixo, Dr Valentim Fuster apresentando seus resultados.
Acompanhe abaixo o que foi publicado no Cardio Source esta semana.
Dr Rogério Ruiz
Autora: Dra. Thaís Pinheiro Lima
Revisado por: Dra. Fernanda Seligmann Feitosa
Foram publicados recentemente os resultados do primeiro estudo fase II, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo envolvendo a polipílula. A hipótese testada foi que a medicação, usada para prevenção primária, reduziria em 50% a incidência de eventos cardiovasculares e AVC. Essa primeira fase envolveu a participação de sete países, entre eles o Brasil, com financiamento do Ministério da Saúde.
A polipílula consiste na associação de quatro componentes (AAS 75mg, lisinopril 10mg, hidroclorotiazida 12,5mg e sinvastatina 20mg), em doses fixas, num mesmo comprimido. No estudo fase II foram randomizados 378 pacientes que não apresentavam nenhuma indicação ao uso dos componentes acima descritos, mas que tinham risco de 7,5% de desenvolver doenças cardiovasculares em 5 anos, pelos critérios de Framingham. O objetivo primário foi composto por: redução da pressão arterial sistólica, redução do LDL colesterol, presença de efeitos colaterais e aderência ao tratamento no seguimento de 12 semanas.
O uso da polipílula resultou em redução de 9,9mmHg na pressão arterial sistólica e de 0,8 mmol/L no LDL colesterol. Entretanto, houve maior incidência de efeitos adversos no grupo polipílula em comparação ao grupo placebo (58% vs 42%; p=0,001). Quanto à aderência, 23% dos pacientes do grupo polipílula tiveram má aderência, em comparação com 18% do grupo placebo (RR 1,33; IC 95% 0,89 a 2,00; p=0.2). Os autores estimaram que, se o tratamento fosse continuado por longo prazo, haveria uma redução aproximada de 60% no risco de doença cardiovascular e AVC isquêmico. No entanto, isso implicaria em aumento d a incidência de sangramentos, principalmente de origem gastrointestinal, em decorrência do uso de AAS.
Em breve será iniciado um estudo fase III, envolvendo mais de 2000 pacientes em 22 hospitais brasileiros; dessa vez, entretanto, a medicação será utilizada como prevenção secundária. O uso da popipílula é bastante controverso, com vantagens e desvantagens. Os principais argumentos favoráveis são a diminuição dos custos e a otimização da aderência medicamentosa pelo paciente, com redução do risco de eventos cardiovasculares. Todavia, alguns especialistas acreditam que este conceito de polipílula irá prejudicar a boa prática médica, através da perda da individualização do tratamento e da dose ótima para cada paciente, já que muitos irão tomar medicamentos desnecessários contidos em doses fixas nestas pílulas. O que se sabe em relação a este novo conceito é que ainda há muito a ser discutido até atingirmos o equilíbrio entre os vários interesses, em benefício do paciente.
Referência: PILL Collaborative Group (2011) An International Randomised Placebo-Controlled Trial of a Four-Component Combination Pill (‘‘Polypill’’) in People with Raised Cardiovascular Risk. PLoS ONE 6(5): e19857. doi:10.1371/journal.pone.0019857.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
Carboidratos, proteínas ou calorias?
Mais de 20.000 metros quadrados de pesquisa do diabetes - é o que está atualmente em exibição no Salão Poster em Sessões Científicas deste Congresso da Associação Americana de Diabetes. Um dos posters apresentados hoje mostrou uma pesquisa que procurava saber se uma dieta com baixo teor de gordura e rica em proteínas levaria a maior perda de peso do que um baixo teor de gordura, mas rica em carboidratos em pessoas com diabetes tipo 2.
Este estudo, que foi realizado durante dois anos na Nova Zelândia, divididos pessoas obesas com diabetes tipo 2 em dois grupos:
- um que comeu um regular baixo teor de gordura, dieta rica em carboidratos (que atuou como controle)
- outro grupo comeu uma baixo teor de gordura, dieta rica em proteínas.
Realizou-se medida de peso e circunferência da cintura, no início e, em seguida, aos 6, 12 e 24 meses. Também foram analisados outros fatores relacionados às complicações do diabetes, tais como resultados de hemoglobina glicosilada, pressão arterial e níveis de colesterol (que medem fatores de risco para doença coronariana).
Depois de dois anos, ambos os grupos perderam peso, reduziram sua circunferência da cintura, e baixaram sua hemoglobina glicosilada. Não houve diferença significativa entre os grupos, exceto que o padrão do perfil lipídico foi diferente durante os dois anos, mas acabou com resultados semelhantes após ao final do estudo.
Então, o que significa isso? Não importa que tipo de dieta que você prefere , é o número total de calorias que você consome o que mais importa.
- um que comeu um regular baixo teor de gordura, dieta rica em carboidratos (que atuou como controle)
- outro grupo comeu uma baixo teor de gordura, dieta rica em proteínas.
Realizou-se medida de peso e circunferência da cintura, no início e, em seguida, aos 6, 12 e 24 meses. Também foram analisados outros fatores relacionados às complicações do diabetes, tais como resultados de hemoglobina glicosilada, pressão arterial e níveis de colesterol (que medem fatores de risco para doença coronariana).
Depois de dois anos, ambos os grupos perderam peso, reduziram sua circunferência da cintura, e baixaram sua hemoglobina glicosilada. Não houve diferença significativa entre os grupos, exceto que o padrão do perfil lipídico foi diferente durante os dois anos, mas acabou com resultados semelhantes após ao final do estudo.
Então, o que significa isso? Não importa que tipo de dieta que você prefere , é o número total de calorias que você consome o que mais importa.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Novidades do CONGRESSO AMERICANO DE DIABETES
Novidade do dia:
A maior parte dos pacientes diabéticos deixaram de usar medicação após a cirurgia bariátrica
83% dos pacientes com diabetes que foram submetidos a cirurgia bariátrica (bypass) tornaram-se aptos a deixar de tomar medicação, enquanto 62% dos pacientes que se submteream a cirurgia de banda gástrica não precisaram mais de medicamentos anti-diabéticos. Estes dados foram apresentados hoje pelo Dr. Jon Gould, chefe de departamento de Perda de Peso da University of Wisconsin's.
A meu ver esta informação deve causar impacto em nossa rotina daqui pra frente.
Até a próxima novidade. Aqui o Congresso vai até terça.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
106 anos de idade, prestes a completar 107
Dna Maria Monnet, 106 anos, lúcida, ativa e SAUDÁVEL!!!
Segredo: "cuido da pressão" - diz ela.
Já a acompanho há 12 anos. Há 1 ano fui chamado para atendê-la em sua casa porque estava muito mal. Fiquei preocupado e logo parti em direção a sua residência. Ao chegar lá ela me relata: "estou um pouco indisposta". Acho que é gripe. E era mesmo!!!!
Hoje aproveitei para me consultar com ela.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Hipertensão atinge mais mulheres do que homens, diz governo
Possível indutora de infartos e derrames, a pressão alta já atinge quase um quarto dos brasileiros.
O dado, divulgado ontem, é de pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde, com adultos das 27 capitais.
O pesquisador perguntava ao entrevistado se ele já havia sido diagnosticado com hipertensão. Responderam afirmativamente 23,3%. Mas o percentual de pessoas que têm a doença pode ser maior ainda, porque parte da da população não faz exames regulares de pressão. Segundo Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia colhidos em 2010 apontam que 30% dos brasileiros têm pressão alta. A diferença para os números do Ministério da Saúde, afirma, se deve à metodologia. "A entrevista por telefone só se refere a quem sabe que tem a doença."
Na pesquisa do governo, o problema foi mais comum entre as mulheres, principalmente na faixa dos 50 anos. Uma das causas pode ser a menopausa, afirma Maria Cláudia Irigoyen, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela explica que o hormônio estrógeno, cuja produção cai na menopausa, dá uma "proteção natural" contra aumento de pressão.
Por isso, diz, a mulher deve se esforçar mais para manter o peso, praticar exercícios e reduzir o consumo de sal. Outra explicação para o grande número de mulheres diagnosticadas com hipertensão é que elas vão mais ao médico do que os homens. "In loco, vemos que há mais homens com hipertensão", diz Malachias, da sociedade de cardiologia.
O dado, divulgado ontem, é de pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde, com adultos das 27 capitais.
O pesquisador perguntava ao entrevistado se ele já havia sido diagnosticado com hipertensão. Responderam afirmativamente 23,3%. Mas o percentual de pessoas que têm a doença pode ser maior ainda, porque parte da da população não faz exames regulares de pressão. Segundo Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia colhidos em 2010 apontam que 30% dos brasileiros têm pressão alta. A diferença para os números do Ministério da Saúde, afirma, se deve à metodologia. "A entrevista por telefone só se refere a quem sabe que tem a doença."
Na pesquisa do governo, o problema foi mais comum entre as mulheres, principalmente na faixa dos 50 anos. Uma das causas pode ser a menopausa, afirma Maria Cláudia Irigoyen, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela explica que o hormônio estrógeno, cuja produção cai na menopausa, dá uma "proteção natural" contra aumento de pressão.
Por isso, diz, a mulher deve se esforçar mais para manter o peso, praticar exercícios e reduzir o consumo de sal. Outra explicação para o grande número de mulheres diagnosticadas com hipertensão é que elas vão mais ao médico do que os homens. "In loco, vemos que há mais homens com hipertensão", diz Malachias, da sociedade de cardiologia.
Troca de Válvula Cardíaca - Novidades
Pesquisadores da PUC do Paraná desenvolveram uma técnica para diminuir o risco de rejeição em transplantes de válvulas cardíacas.
Essas cirurgias são necessárias quando há alguma doença que prejudica o bombeamento do sangue, levando à insuficiência do órgão.
Hoje, para corrigir a falha, são usadas peças de metal ou feitas de tecido animal (de porco ou de boi).
Na nova técnica, são implantadas válvulas de doadores humanos mortos, processadas em uma solução que retira as células e deixa apenas fibras de colágeno e fibras elásticas.
Esse enxerto é muito mais seguro e dura mais tempo, diz o cirurgião Francisco Diniz da Costa, da PUC-PR. "Quem coloca uma válvula de metal precisa tomar medicamento anticoagulante pelo resto da vida. Em dez anos, 25% dos pacientes têm alguma complicação."
As próteses de animais perdem a função com o tempo. Isso leva a novas operações.
A técnica já foi aplicada em 200 pacientes da Santa Casa de Curitiba. O acompanhamento de 41 deles, por cinco anos, rendeu um artigo publicado no "Annals of Thoracic Surgery".
No estudo, os autores concluem que os resultados iniciais são promissores, mas que é necessário mais tempo de acompanhamento.
Essas cirurgias são necessárias quando há alguma doença que prejudica o bombeamento do sangue, levando à insuficiência do órgão.
Hoje, para corrigir a falha, são usadas peças de metal ou feitas de tecido animal (de porco ou de boi).
Na nova técnica, são implantadas válvulas de doadores humanos mortos, processadas em uma solução que retira as células e deixa apenas fibras de colágeno e fibras elásticas.
Esse enxerto é muito mais seguro e dura mais tempo, diz o cirurgião Francisco Diniz da Costa, da PUC-PR. "Quem coloca uma válvula de metal precisa tomar medicamento anticoagulante pelo resto da vida. Em dez anos, 25% dos pacientes têm alguma complicação."
As próteses de animais perdem a função com o tempo. Isso leva a novas operações.
A técnica já foi aplicada em 200 pacientes da Santa Casa de Curitiba. O acompanhamento de 41 deles, por cinco anos, rendeu um artigo publicado no "Annals of Thoracic Surgery".
No estudo, os autores concluem que os resultados iniciais são promissores, mas que é necessário mais tempo de acompanhamento.
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