Uma pílula que reúne quatro remédios para controlar a pressão arterial e o colesterol e prevenir o entupimento de vasos sanguíneos está sendo testada em diferentes países, incluindo o Brasil, para reduzir a incidência de doenças cardiovasculares.
São dois os alvos: pacientes com risco moderado que não têm bons resultados com dieta e exercícios e pessoas com risco elevado, que já tiveram infarto ou derrame.
O país já participou da primeira fase do primeiro estudo internacional com a chamada polipílula.
Os resultados, publicados em maio na revista "PLoS One", mostraram que a pílula pode diminuir em 60% o risco de infarto e derrame em pessoas com risco moderado.
Na pesquisa, esses pacientes tinham idade média de 60 anos, eram obesos e tinham pressão arterial e colesterol pouco elevados, além de outros fatores de risco.
"São pessoas que não necessitariam de medicação, mas, infelizmente, boa parte delas não consegue reduzir o risco com outras medidas", diz Otávio Berwanger, cardiologista do HCor (Hospital do Coração) e coordenador da pesquisa no Brasil.
Ao todo, 378 voluntários participaram do trabalho, que também foi feito na Índia, na Austrália, na Holanda, na Nova Zelândia e nos Estados Unidos.
A NOVA PESQUISA
A segunda fase do estudo começa em novembro, com pacientes que já tiveram infarto ou AVC e tomam os remédios separadamente.
No Brasil, a pesquisa envolverá 22 hospitais, além do HCor, e 2.000 pessoas em todas as regiões do país.
Além disso, em 2012, o país deve participar da terceira fase de uma pesquisa já iniciada na Índia, na China e no Canadá.
Dessa vez, o responsável pela pesquisa brasileira será o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
O objetivo, segundo o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da divisão de pesquisa do instituto, é testar a medicação em 2.000 pacientes de São Paulo com risco cardíaco moderado.
MEDICALIZAÇÃO
De acordo com Luiz Antonio Machado César, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) e cardiologista do InCor (Instituto do Coração da USP), a ideia é simplificar e baratear o tratamento.
Berwanger lembra que, hoje, no máximo metade dos pacientes de alto risco segue o tratamento corretamente. "Se pudermos facilitar a vida do paciente, mantendo os benefícios dos remédios, com custo menor e maior adesão, será muito interessante."
Ele afirma, no entanto, que a ideia não é "medicalizar" a prevenção de quem tem risco moderado. "A adesão a dieta e exercícios é péssima, apesar de as mudanças serem fundamentais. Essas pessoas não sentem nada, mas a tendência é piorar", afirma.
"Mudar o estilo de vida da população é utopia. Do jeito que a gente montou nossas cidades e a nossa vida nos grandes centros, essa opção não existe", afirma César.
Berwanger recorda, no entanto, que não se trata da "pílula da vida eterna", e que o controle de fatores como tabagismo e obesidade, deverá ser mantido, mesmo para quem tomar a polipílula.
MARIANA VERSOLATODE SÃO PAULO -
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Polipílula demonstra bons resultados para a prevenção primária de eventos cardiovasculares
Neste Congresso Europeu de Cardiologia (Paris, agosto de 2011), foi divulgado o andamento da pesqusia com a policápsula ou polipílula.
Dr Youssef e Dr Valentim Fuster apresentaram seus resultados e o futuro é promissor.
A possibildade de facilitar a "tomada de medicação", o baixo custo e a diminuição da ingesta de comprimidos parecem incidir diretamente na aderência dos pacientes aos tratamentos.
Cabe agora esperar o que nos reserva a briga por patentes de medicamentos.
Abaixo, Dr Valentim Fuster apresentando seus resultados.
Acompanhe abaixo o que foi publicado no Cardio Source esta semana.
Dr Rogério Ruiz
Autora: Dra. Thaís Pinheiro Lima
Revisado por: Dra. Fernanda Seligmann Feitosa
Foram publicados recentemente os resultados do primeiro estudo fase II, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo envolvendo a polipílula. A hipótese testada foi que a medicação, usada para prevenção primária, reduziria em 50% a incidência de eventos cardiovasculares e AVC. Essa primeira fase envolveu a participação de sete países, entre eles o Brasil, com financiamento do Ministério da Saúde.
A polipílula consiste na associação de quatro componentes (AAS 75mg, lisinopril 10mg, hidroclorotiazida 12,5mg e sinvastatina 20mg), em doses fixas, num mesmo comprimido. No estudo fase II foram randomizados 378 pacientes que não apresentavam nenhuma indicação ao uso dos componentes acima descritos, mas que tinham risco de 7,5% de desenvolver doenças cardiovasculares em 5 anos, pelos critérios de Framingham. O objetivo primário foi composto por: redução da pressão arterial sistólica, redução do LDL colesterol, presença de efeitos colaterais e aderência ao tratamento no seguimento de 12 semanas.
O uso da polipílula resultou em redução de 9,9mmHg na pressão arterial sistólica e de 0,8 mmol/L no LDL colesterol. Entretanto, houve maior incidência de efeitos adversos no grupo polipílula em comparação ao grupo placebo (58% vs 42%; p=0,001). Quanto à aderência, 23% dos pacientes do grupo polipílula tiveram má aderência, em comparação com 18% do grupo placebo (RR 1,33; IC 95% 0,89 a 2,00; p=0.2). Os autores estimaram que, se o tratamento fosse continuado por longo prazo, haveria uma redução aproximada de 60% no risco de doença cardiovascular e AVC isquêmico. No entanto, isso implicaria em aumento d a incidência de sangramentos, principalmente de origem gastrointestinal, em decorrência do uso de AAS.
Em breve será iniciado um estudo fase III, envolvendo mais de 2000 pacientes em 22 hospitais brasileiros; dessa vez, entretanto, a medicação será utilizada como prevenção secundária. O uso da popipílula é bastante controverso, com vantagens e desvantagens. Os principais argumentos favoráveis são a diminuição dos custos e a otimização da aderência medicamentosa pelo paciente, com redução do risco de eventos cardiovasculares. Todavia, alguns especialistas acreditam que este conceito de polipílula irá prejudicar a boa prática médica, através da perda da individualização do tratamento e da dose ótima para cada paciente, já que muitos irão tomar medicamentos desnecessários contidos em doses fixas nestas pílulas. O que se sabe em relação a este novo conceito é que ainda há muito a ser discutido até atingirmos o equilíbrio entre os vários interesses, em benefício do paciente.
Referência: PILL Collaborative Group (2011) An International Randomised Placebo-Controlled Trial of a Four-Component Combination Pill (‘‘Polypill’’) in People with Raised Cardiovascular Risk. PLoS ONE 6(5): e19857. doi:10.1371/journal.pone.0019857.
Dr Youssef e Dr Valentim Fuster apresentaram seus resultados e o futuro é promissor.
A possibildade de facilitar a "tomada de medicação", o baixo custo e a diminuição da ingesta de comprimidos parecem incidir diretamente na aderência dos pacientes aos tratamentos.
Cabe agora esperar o que nos reserva a briga por patentes de medicamentos.
Abaixo, Dr Valentim Fuster apresentando seus resultados.
Acompanhe abaixo o que foi publicado no Cardio Source esta semana.
Dr Rogério Ruiz
Autora: Dra. Thaís Pinheiro Lima
Revisado por: Dra. Fernanda Seligmann Feitosa
Foram publicados recentemente os resultados do primeiro estudo fase II, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo envolvendo a polipílula. A hipótese testada foi que a medicação, usada para prevenção primária, reduziria em 50% a incidência de eventos cardiovasculares e AVC. Essa primeira fase envolveu a participação de sete países, entre eles o Brasil, com financiamento do Ministério da Saúde.
A polipílula consiste na associação de quatro componentes (AAS 75mg, lisinopril 10mg, hidroclorotiazida 12,5mg e sinvastatina 20mg), em doses fixas, num mesmo comprimido. No estudo fase II foram randomizados 378 pacientes que não apresentavam nenhuma indicação ao uso dos componentes acima descritos, mas que tinham risco de 7,5% de desenvolver doenças cardiovasculares em 5 anos, pelos critérios de Framingham. O objetivo primário foi composto por: redução da pressão arterial sistólica, redução do LDL colesterol, presença de efeitos colaterais e aderência ao tratamento no seguimento de 12 semanas.
O uso da polipílula resultou em redução de 9,9mmHg na pressão arterial sistólica e de 0,8 mmol/L no LDL colesterol. Entretanto, houve maior incidência de efeitos adversos no grupo polipílula em comparação ao grupo placebo (58% vs 42%; p=0,001). Quanto à aderência, 23% dos pacientes do grupo polipílula tiveram má aderência, em comparação com 18% do grupo placebo (RR 1,33; IC 95% 0,89 a 2,00; p=0.2). Os autores estimaram que, se o tratamento fosse continuado por longo prazo, haveria uma redução aproximada de 60% no risco de doença cardiovascular e AVC isquêmico. No entanto, isso implicaria em aumento d a incidência de sangramentos, principalmente de origem gastrointestinal, em decorrência do uso de AAS.
Em breve será iniciado um estudo fase III, envolvendo mais de 2000 pacientes em 22 hospitais brasileiros; dessa vez, entretanto, a medicação será utilizada como prevenção secundária. O uso da popipílula é bastante controverso, com vantagens e desvantagens. Os principais argumentos favoráveis são a diminuição dos custos e a otimização da aderência medicamentosa pelo paciente, com redução do risco de eventos cardiovasculares. Todavia, alguns especialistas acreditam que este conceito de polipílula irá prejudicar a boa prática médica, através da perda da individualização do tratamento e da dose ótima para cada paciente, já que muitos irão tomar medicamentos desnecessários contidos em doses fixas nestas pílulas. O que se sabe em relação a este novo conceito é que ainda há muito a ser discutido até atingirmos o equilíbrio entre os vários interesses, em benefício do paciente.
Referência: PILL Collaborative Group (2011) An International Randomised Placebo-Controlled Trial of a Four-Component Combination Pill (‘‘Polypill’’) in People with Raised Cardiovascular Risk. PLoS ONE 6(5): e19857. doi:10.1371/journal.pone.0019857.
domingo, 26 de junho de 2011
Carboidratos, proteínas ou calorias?
Mais de 20.000 metros quadrados de pesquisa do diabetes - é o que está atualmente em exibição no Salão Poster em Sessões Científicas deste Congresso da Associação Americana de Diabetes. Um dos posters apresentados hoje mostrou uma pesquisa que procurava saber se uma dieta com baixo teor de gordura e rica em proteínas levaria a maior perda de peso do que um baixo teor de gordura, mas rica em carboidratos em pessoas com diabetes tipo 2.
Este estudo, que foi realizado durante dois anos na Nova Zelândia, divididos pessoas obesas com diabetes tipo 2 em dois grupos:
- um que comeu um regular baixo teor de gordura, dieta rica em carboidratos (que atuou como controle)
- outro grupo comeu uma baixo teor de gordura, dieta rica em proteínas.
Realizou-se medida de peso e circunferência da cintura, no início e, em seguida, aos 6, 12 e 24 meses. Também foram analisados outros fatores relacionados às complicações do diabetes, tais como resultados de hemoglobina glicosilada, pressão arterial e níveis de colesterol (que medem fatores de risco para doença coronariana).
Depois de dois anos, ambos os grupos perderam peso, reduziram sua circunferência da cintura, e baixaram sua hemoglobina glicosilada. Não houve diferença significativa entre os grupos, exceto que o padrão do perfil lipídico foi diferente durante os dois anos, mas acabou com resultados semelhantes após ao final do estudo.
Então, o que significa isso? Não importa que tipo de dieta que você prefere , é o número total de calorias que você consome o que mais importa.
- um que comeu um regular baixo teor de gordura, dieta rica em carboidratos (que atuou como controle)
- outro grupo comeu uma baixo teor de gordura, dieta rica em proteínas.
Realizou-se medida de peso e circunferência da cintura, no início e, em seguida, aos 6, 12 e 24 meses. Também foram analisados outros fatores relacionados às complicações do diabetes, tais como resultados de hemoglobina glicosilada, pressão arterial e níveis de colesterol (que medem fatores de risco para doença coronariana).
Depois de dois anos, ambos os grupos perderam peso, reduziram sua circunferência da cintura, e baixaram sua hemoglobina glicosilada. Não houve diferença significativa entre os grupos, exceto que o padrão do perfil lipídico foi diferente durante os dois anos, mas acabou com resultados semelhantes após ao final do estudo.
Então, o que significa isso? Não importa que tipo de dieta que você prefere , é o número total de calorias que você consome o que mais importa.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Novidades do CONGRESSO AMERICANO DE DIABETES
Novidade do dia:
A maior parte dos pacientes diabéticos deixaram de usar medicação após a cirurgia bariátrica
83% dos pacientes com diabetes que foram submetidos a cirurgia bariátrica (bypass) tornaram-se aptos a deixar de tomar medicação, enquanto 62% dos pacientes que se submteream a cirurgia de banda gástrica não precisaram mais de medicamentos anti-diabéticos. Estes dados foram apresentados hoje pelo Dr. Jon Gould, chefe de departamento de Perda de Peso da University of Wisconsin's.
A meu ver esta informação deve causar impacto em nossa rotina daqui pra frente.
Até a próxima novidade. Aqui o Congresso vai até terça.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
106 anos de idade, prestes a completar 107
Dna Maria Monnet, 106 anos, lúcida, ativa e SAUDÁVEL!!!
Segredo: "cuido da pressão" - diz ela.
Já a acompanho há 12 anos. Há 1 ano fui chamado para atendê-la em sua casa porque estava muito mal. Fiquei preocupado e logo parti em direção a sua residência. Ao chegar lá ela me relata: "estou um pouco indisposta". Acho que é gripe. E era mesmo!!!!
Hoje aproveitei para me consultar com ela.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Hipertensão atinge mais mulheres do que homens, diz governo
Possível indutora de infartos e derrames, a pressão alta já atinge quase um quarto dos brasileiros.
O dado, divulgado ontem, é de pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde, com adultos das 27 capitais.
O pesquisador perguntava ao entrevistado se ele já havia sido diagnosticado com hipertensão. Responderam afirmativamente 23,3%. Mas o percentual de pessoas que têm a doença pode ser maior ainda, porque parte da da população não faz exames regulares de pressão. Segundo Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia colhidos em 2010 apontam que 30% dos brasileiros têm pressão alta. A diferença para os números do Ministério da Saúde, afirma, se deve à metodologia. "A entrevista por telefone só se refere a quem sabe que tem a doença."
Na pesquisa do governo, o problema foi mais comum entre as mulheres, principalmente na faixa dos 50 anos. Uma das causas pode ser a menopausa, afirma Maria Cláudia Irigoyen, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela explica que o hormônio estrógeno, cuja produção cai na menopausa, dá uma "proteção natural" contra aumento de pressão.
Por isso, diz, a mulher deve se esforçar mais para manter o peso, praticar exercícios e reduzir o consumo de sal. Outra explicação para o grande número de mulheres diagnosticadas com hipertensão é que elas vão mais ao médico do que os homens. "In loco, vemos que há mais homens com hipertensão", diz Malachias, da sociedade de cardiologia.
O dado, divulgado ontem, é de pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde, com adultos das 27 capitais.
O pesquisador perguntava ao entrevistado se ele já havia sido diagnosticado com hipertensão. Responderam afirmativamente 23,3%. Mas o percentual de pessoas que têm a doença pode ser maior ainda, porque parte da da população não faz exames regulares de pressão. Segundo Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia colhidos em 2010 apontam que 30% dos brasileiros têm pressão alta. A diferença para os números do Ministério da Saúde, afirma, se deve à metodologia. "A entrevista por telefone só se refere a quem sabe que tem a doença."
Na pesquisa do governo, o problema foi mais comum entre as mulheres, principalmente na faixa dos 50 anos. Uma das causas pode ser a menopausa, afirma Maria Cláudia Irigoyen, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela explica que o hormônio estrógeno, cuja produção cai na menopausa, dá uma "proteção natural" contra aumento de pressão.
Por isso, diz, a mulher deve se esforçar mais para manter o peso, praticar exercícios e reduzir o consumo de sal. Outra explicação para o grande número de mulheres diagnosticadas com hipertensão é que elas vão mais ao médico do que os homens. "In loco, vemos que há mais homens com hipertensão", diz Malachias, da sociedade de cardiologia.
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